Blog de História
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
EXEMPLO DE FALA DOS PERSONAGENS
EXEMPLO DE FALA DOS PERSONAGENS
1.
MANSA
MUSA
Saudações, meu nome é Mansa Musa, eu sou o grande
imperador do Império Africano do Mali, mas é óbvio que vocês perceberam, pois
meu nome “Mansa” significa “rei dos reis”, mas eu tenho outros nomes, que
demonstram meu grande caráter e grandiosidade perante os outros povos, meus
nomes são: Emir do Melle (senhor do Mali), Senhor das minas de Wangara (pois eu
sou o grande explorador de ouro nas minhas terras), conquistador de Ghanata
(pois sou e quem conquisto mais terras na minha região a África), entre outras
dúzias de nomes que demonstram meu grande poder sobre estas terras.
Sou um Imperador muçulmano, contudo não abandono as
práticas da minha religião ancestral. Por isso, em meu império convivem pessoas
das mais diversas religiões. A pouco tempo atrás, em 1325 eu fui para Meca, a
cidade santa, e levei comigo 100 camelos carregados de ouro, 60 mil homens
livres e 12 mil servos e sacerdotes todos ricamente vestidos e seda e tecidos
finos enfeitados com ouro. Contudo, trouxe comigo sacerdotes, e um
poeta-arquiteto Abu Issaak que pretende construir a mesquita de Djenné. Estou
criando escolas islâmicas por todo “meu” império, para que as futuras gerações tenham
a minha cultura perfeita.
Estou levando o “meu” povo ao apogeu financeiro, só para
constar, estamos no século XIV. E como eu já disse “eu sou o Senhor das Minas
de Wangara” e estou extraindo muito ouro deste bendito solo rico, pois todo reino precisa de “suas reservas”.
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2.
NZINGA
MBANDI
Saudações, meu nome é Nzinga Mbandi, sou uma soberana do
Ndongo, Matamba e Angola (Mapa). Como muita diplomacia e
sagacidade consegui unir silenciosamente povos para lutarem contra a invasão
dos portugueses em Angola, continuo resistindo, fazendo alianças com reinos
vizinhos (Imagem Slides) e mesmo com os holandês
quando convêm...
Eu sou filha do rei Ngola e uma contemporânea de Zumbi
dos Palmares também um soberano e rei Quilombola. Fui levada pelo meu pai e meu
irmão para negociar com os portugueses, pedi a devolução do nosso território e
em troca lhes ofereci nossa converção ao cristianismo, como eles não
respeitaram nosso trato, tomei o poder e a ocupação das terras e voltei a minha
verdadeira religião dos Inquices (Imagem Slides).
No jogo político da África central em que eu e meu reino
está inscritos, a guerra no atlântico sul é uma realidade. Mandei várias
missões diplomáticas, inclusive para Roma. Esta missão levou cartaz e reuniu-se
com o Papa em meu nome para negociar tratados de meu reino junto a outras
potências. É interessante para as potências europeias ter-me como aliada.
Na chegada dos portugueses ao reino do Kongo no século
XV, Portugal contava com 1,5 milhões de habitantes em sua população, enquanto o
grandioso reino do Kongo tinha aproximadamente 15 milhões (Imagem Cidade). A guerra em minhas terras dá-se pela
conquista de territórios e a captura de pessoas para serem levadas à América
para serem escravizadas.
Outra missões diplomática por mim enviada foi para a
cidade do Recife, capital da Colônia açucareira Holandesa nas Américas, meu
diplomata (Foto) atravessou o oceano e reuniu-se
diretamente com Maurício de Nassau em Recife para negociar uma aliança contra
os Portugueses em meu reino.
Depois de tais fatos me tornei uma rainha guerreira, uma
heroína africana (Imagem) cuja memória desafiou
o tempo, invadi com isso o folclore brasileiro com o nome de Ginga. A história
da minha vida tem despertado a curiosidade de vários historiadores, pela a
minha coragem e resistência á invasão portuguesa junto com o consequente
tráfico de escravos. Muitos de meus conterrâneos Bakongo e Umbundos vieram para
o Brasil, principalmente para Pernambuco e Rio de Janeiro do século XVI ao XIX."
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3. IBN BATTUTA
Salaam, Sou Ibn Battuta (Imagem),
viajante e explorador berbere, nasci no dia 25 de fevereiro de 1304, na cidade
de Tânger no Marrocos, no norte da África. Estudei na escola sunita
Maliki da lei muçulmana. Minha família é de
estudiosos das leis islãs. Em junho de 1325, quando eu tinha 21
anos de idade, parti de minha cidade natal em uma peregrinação a Meca na
Arábia, obrigação de todo muçulmano de fazer o Hajj. De Meca viajei, Iraque e
Egito, uma viagem que levou 16 meses. Nesta viagem tive um
sonho que foi interpretado por um místico como sendo o meu destino tornar-me um
grande viajante e adquirir adab,
cultura e conhecimento.
Logo depois viajei ao Iémen, a África
Oriental, a Ásia Menor, Rússia, o Afeganistão, a Índia, as ilhas da Indonésia e
a na China. As pessoas me consideram o príncipe dos viajantes. Viajei três
vezes mais do que Marco Polo, meu contemporâneo (Mapa).
Da China fiz uma viagem pela Espanha
muçulmana e voltei ao meu continente: a África. Só que desta vez, atravessei o
grande deserto do Sahara, para conhecer um dos maiores e mais ricos impérios da
idade média: o império do Mali. Nos idos de 1353, o Mansa governante era o
Mansa Sulaiman, próximo na linha de sucessão após o grande Mansa Musa.
Presenciei as riquezas deste império que
muito me impressionou a hospitalidade das pessoas e a segurança do lugar (Imagem). Fui testemunha da audiência real entre o
mansa Sulaiman e o povo Manden, Mandinga. Escrevi sobre ele em minha Rihla, os
escritos de minha viagem (Slide):
“O Sultão tem uma cúpula elevada, cuja porta
se encontra no interior do seu palácio e onde se senta com frequência. Tem do
lado das audiências três janelas em arco, de madeira, coberta de placas de
prata, e por baixo delas três outras guarnecidas de lâminas de ouro ou de prata
dourada. [...] Chegam os comandantes, assim como o pregador, os sábios
juristas, que se sentam à esquerda e à direita, diante dos homens de armas. À
ponta, de pé, o intérprete dougha
em grande aparato. Está soberbamente vestido, em seda fina. O seu turbante está
ornado de franjas, que estas gentes sabem fazer admiravelmente. Tem a tiracolo
um sabre, cuja bainha é de ouro. Nos pés, botas e esporas [...] tem nas mãos
duas curtas lanças. Uma de prata, a outra de ouro. As pontas são de ferro. Os
militares, o governador, os pajens ou eunucos e os mesufitas estão sentados no
exterior do lugar das audiências , numa longa rua, vasta e com árvores. Cada
comandante tem diante de si os seus homens, com as suas lanças, os seus arcos,
os seus tambores, as suas trompas, enfim, com seus instrumentos de musica
feitos com caniços e cabaças, em que se bate com baquetas e que dão um som
agradável.”
Depois
de minhas viagens hoje sou Cádi, Juiz da lei islâmica, no meu Marrocos natal no
noroeste da África.
Shukran
(Obrigado em Árabe)
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4. ALAFIN SHANGÔ
Kawo
Kabiyesi! Eu, filho de Oranian e Torosi, terceiro Rei
Aláàfìn Òyó, me chamo Shangô. Sou o rei de oyo, uma cidade-estado dos Yourubá.
Lá fui responsável pela luta com os ingleses. Meu império é um dos maiores da
África ocidental (mapa império Oyo), a riqueza
de meu povo vem do comércio e da poderosa cavalaria. Oyo, dominou outros grupos
Yoruba se tornando politicamente o maior império da região. No século XIX este
foi o império que combateu os ingleses na foz do Rio Níger.
Em 1686 o navegador Holandês Olfert Dapper passou pela região do império que construí e escreveu
algumas descrições. Sobre a cidade do Benin ele discorre (colocar slide):
“Há várias portas que têm oito ou nove pés de altura e
cinco de largura. São de madeira, todas elas de uma só peça, e giram sobre um
eixo. O palácio do rei está do lado direito da cidade... É um conjunto de
construções que ocupa tanto espaço como a cidade de Grenobla e que é fechado de
muralhas. Há várias divisões para os ministros do príncipe e belas galerias, a
maior parte das quais são tão grandes como a bolsa de Amsterdã. São sustidas
por pilares de madeira encaixados em cobre, onde estão gravadas as suas
vitórias e que se tem o cuidado de manter bem asseado. (...) São gente que tem
boas leis e uma polícia bem organizada, gente que vive em boa harmonia e que
cumula de atenções os estrangeiros que vêm comerciar em seu país...”.
O império de Oyo dos Yorubá concentrava-se onde hoje é o
país Nigéria (mapa). Meu império, para além do
poderio militar e de sua cavalaria (foto) era
famoso pelo comércio, agricultura do dendê e do inhame e as artes. São famosas
mundialmente as esculturas em bronze e em terracota das cabeças de Ifé e de
Oyó. Elas tem estilo realista, detalham as escarificações e penteados e
retratam reis do passado e pessoas importantes (imagem
slides).
Muitos Yorubas, filhos e filhas do meu Império foram
sequestrados, principalmente no início do século XIX e enviados ao Brasil na
condição de escravos. Foram principalmente para as cidades de Salvador e
Recife. Lá continuaram a viver, mesmo sob grilhões, sua cultura e descendência.
Após minha morte, assim como Ogun, importante rei de Ilê Ifé, serei divinizado,
tornarei-me Orixá e meus filhos e filhas poderão contar com minha proteção,
mesmo no além mar (foto).
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5.
MAHOMMAH
GARDO BAQUAQUA
“Seus
horrores, ah! Quem pode descrever? Ninguém pode retratar seus horrores tão
fielmente como o pobre desventurado, o miserável desgraçado que tenha sido
confinado em seus portais. Oh! Amigos da humanidade, tenham piedade (...)
alijado e afastado de seus amigos e de seu lar, ao ser vendido e depositado no
porão de um navio negreiro, para aguardar ainda mais horrores e misérias em uma
terra distante, entre religiosos e benevolentes. Sim, até mesmo entre eles.
Mas, vamos ao navio! Fomos arremessados, nus, porão adentro, os homens
apinhados de lado e as mulheres do outro. O porão era tão baixo que não
podíamos ficar em pé, éramos obrigados a nos agachar ou a sentar no chão. Noite
e dia eram iguais para nós, o sono nos sendo negado devido ao confinamento de
nossos corpos. Ficamos desesperados com o sofrimento e a fadiga
Oh!
A repugnância e a imundície daquele lugar horrível nunca serão apagadas de
minha memória. Não: enquanto a memória mantiver seu posto nesse cérebro
distraído, lembrarei daquilo. Meu coração até hoje adoece ao pesar nisso.
(...)
Chegamos
em Pernambuco, América do Sul, de manhã cedo e o navio ficou zanzando durante o
dia, sem lançar âncora. Ficamos sem comida e sem bebida o dia inteiro e nos foi
dado a entender que deveríamos permanecer em silêncio absoluto, sem clamor
algum, senão nossas vidas estariam em perigo”.
Minha
alma nunca foi vencida...
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6. DANDARA
Meu coração nunca foi
quebrado...
Meu nome é Dandara sou
rainha do quilombo dos palmares (Gráfico) e esposa de do rei Zumbi dos Palmares. O reino
livre de Palmares surgiu quando africanos escravizados pelos senhores do açúcar
de Pernambuco, revoltados e ansiosos por reviver a liberdade que gozavam na
África, organizávamos fugas coletivas, e revoltas (Imagem Slide). Criamos então, o quilombo, era pra onde todos os escravos iam quando
saiam refugiados das terras da Escravidão. O a formação de Quilombos já existia
na África (Imagem Slide). Era como os Jagas de Angola, sob as ordens de
Nzinga Mbandi combatia os Portugueses formando estes acampamentos de guerra nos
altos das colinas (Mapa).
Em Palmares praticamos as
culturas que tínhamos na África, adaptando-a a novas realidades locais. Ao
redor das novas terras abundam as palmeiras por nós plantadas, bem como muito
milho e mandioca cujo plantio aprendemos com os índios locais.
Com zumbi aprendi a me
defender e lutar capoeira participei de todos os ataques e defesas da resistência
de palmares. Quando os portugueses propuseram a Ganga-Zumba o acordo de mudança
para a terra seca do Cucaú eu fui totalmente contra. Palmares é eterno, será
sempre lembrado, pelo seu legado, pela coisas que aqui são vividas, pessoas
lutando pela sua liberdade.
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7. AL-BAGHDÁDI
Salaam Aleikum,
meu nome é Abdurrahman Al-Baghdádi, sou súdito do império turco otomano,
cheguei ao Brasil por volta de 1866 quando meu navio saiu da rota devido à
tempestade.
Ao descer do navio, na capital do tal império brasileiro,
a cidade do Rio de Janeiro e fui saudado em islâmico: as-salámu alaykum, “Que a
paz esteja contigo!``. Acabei ficando mais tempo aqui no Brasil, após descobri
a existência de vários muçulmanos africanos no Rio de Janeiro, Salvador e em
Recife.
Escrevi um manuscrito onde relato todo meu percurso e
também sobre as comunidades religiosas presente no Brasil na época. Procurei
deixa de forma clara que os líderes de vários movimentos anti-escravidão foram os africanos muçulmanos.
Muitos tinham medo de ser reconhecido como muçulmano,
rezavam escondido. Mesmo tendo outra fé era perseguidos e obrigados a batizar
seus filhos como católicos. A grande maioria das pessoas desta comunidade
africana muçulmana, ao contrário do restante dos brasileiros, sabiam ler e eram
letradas em árabe e outras escritas. Haviam parado aqui do outro lado do
atlântico como escravizados devido à guerras entre reinos na África e o tráfico
de escravos no Atlântico.
Passei um ano na cidade de Recife, em Pernambuco. Escrevi
algumas coisas sobre os africanos nesta cidade que eram muitos e vários deles
professavam a fé no islã. Sobre esta cidade também escrevi em 1865:
“Em
seguida viajei da Bahia para a cidade de Pernambuco por causa da vontade e da
solicitação por mim dos muçulmanos que ali viviam”. Esta cidade é mias quente
que a primeira e fica a oito graus da linha do equador.
(...)
Há
nesta cidade uma ponte de ferro sobre uma baía ampla; seu comprimento é de
cerca de uma milha e sua largura, de quinze braças. E é um prodígio da contemplação.
(...)
Todos
os habitantes são grandes comerciantes, possuem fábricas e têm grandes
conhecimentos sobre as indústrias. “Nesta cidade, há diversos fortes, cidadelas
e construções fortificadas”.
Três anos após minha vinda pelo Brasil onde conheci várias
personalidades africanas que aqui estavam na condição de escravos ou libertos,
passei em Lisboa, Gibraltar, Alger e Alexandria, visitei minha família em
Damasco e segui para Istambul.
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8. ALUFÁ RUFINO
Saudações, meu nome em
português é Rufino José Maria, mais
conhecido como Alufá Rufino, nasci no grande reino africano de
Oyó, um dos Estados mais poderosos do Golfo de
Benin, fui um grande viajante e conheci muitas culturas e me instrui e
estudei em muitas delas, adquirindo muito conhecimento. Cresci em meio a conflitos locais e no seio de uma família iorubá que
se declarava muçulmana e que tinha em seu patriarca o exemplo de Alufá.
Na minha adolescência fui escravizado por um reino inimigo, adquirido por
traficantes brasileiros e levado para a Bahia, onde tive um filho chamado Nicolau José, depois fui vendido para o Rio
Grande do Sul, onde consegui comprar minha alforria, embarquei do Rio de
Janeiro para a Angola e infelizmente, fui capturado pelos ingleses e logo após
levado à Serra Leoa.
Depois que consegui
minha alforria pela 2ª vez, me tornei cozinheiro assalariado de navios
negreiros e mais tarde no Recife, alcancei o posto de Alufá. Para vocês que não
sabem o que siginifica essa palavra, eu explicarei agora. Alufá é o guia
espiritual da comunidade de muçulmano africanos, alufás são muito religiosos, rezam quase sempre, para
essas preces vestimos o abadá (túnica branca de mangas perdidas), enterramos na
cabeça um filá, um pequeno chapéu muçulmano.
Como Alufá também possuo conhecimentos por produzir
amuletos sagrados chamados Patuá. Dentro de um pequeno saco de couro escrevo
uma oração muçulmana que protegerá a pessoa que o utiliza de males e doenças.
Também, através da arte divinatória consigo prever acontecimentos na vida das
pessoas.
Uma vez, no Recife, na metade do século XIX, o delegado
local tentou proibir-me de praticar minha atividade religiosa. Dialoguei e
argumentei com o mesmo através dos conhecimentos que possuía da legislação do
Império brasileiro e ele ficou sem argumentos, chamando logo depois o bispo
católico da cidade. Este veio tentar discutir, a partir de argumentos
teológico, sobre o porque de eu não puder exercer minha religião. Novamente,
argumentei com o bispo, a partir de meu vasto conhecimento das teologias de
religiões monoteístas e politeístas que conheci durante meus estudos deixando
até mesmo o bispo sem argumento, perdendo ele a discussão. Desta forma continuo
praticando minhas orações, rituais divinatórios e produzindo amuletos, muito
populares na cidade do Recife. Assim, saí da áfrica como uma autoridade
religiosa e em Pernambuco continuo exercendo minha função entre meus pares
africanos e entre muitos brasileiros.
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9.
NÃ
AGONTIMÉ
Ei Dan! Eu sou a rainha Nã Agotimé, do reino do Daomé
Cheguei ao Brasil deportada como escrava após uma guerra
de sucessão dentro do Daomé.
Sou viúva do grande rei Agonglo e meu filho mais novo, o
que sucedeu meu falecido marido, chama-se o grande rei Ghezo (Foto Slide).
Foi aqui, no Maranhão que eu construí meu novo reino e
voltei a ser Rainha fundei a Querebentã de Toy Zomadonu ou “A Casa das Minas”
ainda no início do século XIX em São Luis do Maranhão. A Casa das Minas é o terreiro de tambor de mina, uma das
mais antigas religiões de matriz africana no Brasil. Foi fundada em 1840 por
mim e outras mulheres deportadas do Daomé, no atual Benin (Mapa) na condição de escravizadas para o Brasil. Nela
dedicamo-nos ao culto religioso dos nossos ancestrais Jeje, Davice, Damballah, Heviossô
(Foto Serpente Arco-íris), Aladanu e Savalunu.
Quando meu filho, o Rei Ghezo retomou o
trono do Daomé mandou uma série de missões diplomáticas para a Bahia, Rio de
Janeiro e Pernambuco. Contudo nenhuma delas teve o sucesso de me resgatar do
Brasil e levar para o trono do Daomé. Permaneci em São Luis do Maranhão,
rainha-mãe do Querebentã de Toy Zomadonu, um novo reinado que construí na “Casa
das Minas” (Foto Slide).
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10. RAINHA DONA SANTA
Meu nome é Maria Júlia do Nascimento,
mas sou conhecida como Rainha Dona Santa do Maracatu Elefante de Recife. Nasci
no dia 25 de março de 1877. Sou descendente de africanos, filha e neta.
Também sou Yalorixá, mãe de Santo do Candomblé, religião de origem africana.
Quando era a rainha do Maracatu
Leão Coroado me casei com João Vitorino que foi coroado o rei do
Maracatu Elefante, e ingressei nesse Maracatu. Fui Rainha do Maracatu
Elefante durante 16 anos tendo sido coroada em 1947 (Imagem). Nosso Maracatu se apresentava nas segundas-feiras de carnaval e meu
traje eram vestidos de tecidos finos ao estilo do sec. XIX, com joias, seda
sendo minhas cores favoritas eram azul, amarelo, branco e verde (Imagem).
O Maracatu Nação ou Maracatu de
Baque-virado é o Maracatu mais comumente visto aqui na cidade do Recife e
Olinda, principalmente no centro da cidade muitas vezes ensaiando ou
em seus centros, geralmente envolvidos em projetos sociais (Imagem).
Os Maracatus remontam tradições
africanas dos séculos XVII e XVIII em Pernambuco. Eram realizadas desde essas
épocas cerimônias de Coroação do rei no Congo (Imagem). Estas festas realizadas pelos africanos no Brasil rememoravam as
cerimônias e as celebrações ocorridas na África, mais precisamente no reino do
Congo nos coroamentos de seus reis (Imagem).
Estes coroamentos aconteceram no
Recife, que deu origem às Congadas e mais tarde o Maracatu que relembram e
rememoram a realeza africana em sua diáspora pelo Brasil.
Personagens - Da África ao Brasil: Rainhas e soberanos na diáspora africana no Brasil
Personagens:
Da África ao Brasil: Rainhas e soberanos na diáspora
africana no Brasil
1. Mansa Musa (séc. XIV): Rei do
império do Mali;
- Quem foi
Mansa Musa (Rei de 1307-1332)
- O Hajj
- O Pai
dele e a viagem pelo atlântico (Abu Bakar II –
1303)
- As
grandes mesquitas do Mali
-Alguns
Mandingas vieram para o Brasil, principalmente para o Maranhão e também Recife.
-
•
Sugestões Vestimenta:
-Turbante
e Barbicha
- Roupão
de tecido fino e lençois bonitos
enfeitando
- Adereços
dourado (bolinhas arvore de natal)
- Cinturão
Grande
- Fita
dourada na cabeça, colares e pulseiras
- lança de
ouro e espada
_________________________________________________________________________
2. Rainha Nzinga Mbandi (séc. XVII): A rainha “Jinga” do Ndongo
(Angola);
- Quando os
portugueses chegaram ao reino do Kongo este reino contava com número de 15 milhões de
habitantes, enquanto Portugal tinha próximo de 1,5 milhões.
- Rainha dos Jagas dos quilombos
- Resistências aos
portugueses
- Aliou-se aos
holandeses contra os portugueses na Guerra colonial do atlântico sul no séc.
XVII.
- Rainha Bantu de Matamba e Ndongo onde hoje é Angola
- Imagens de Mbanza Kongo.
- Muitos Bakongo e Umbundos vieram para o
Brasil, principalmente para Pernambuco e Rio de Janeiro.
-
•
Sugestões Vestimenta:
-Turbante
e Coroa
- Tecido
fino e lençois bonitos
enfeitando enrolados
- Adereços
dourado
- Fitas e
cintos finos
- Colares
e pulseiras
Palha da costa enrolado no tornozelo
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3. Ibn Battuta (séc. XIV): Grande viajante berbere marroquino;
- Muçulmano do norte
da África
(1304-1377)
- Africano maior
viajante de todos os tempos (3x + que Marco Polo. Nome do maior shopping de
Dubai, aeroporto no Marrocos etc.
- Acabou de voltar do norte de Al-Andaluz, da
Espanha muçulmana
governada por dinastias berberes africanas. Em Al-andaluz moravam
cristãos, judeus e muçulmanos árabes e
africanos.
- Viagem pela África
oriental (Quênia e norte de Moçambique)
- Viagem pelo Mali (inhame, noz de
cola, pimenta, âmbar, ouro)
•
Sugestões Vestimenta:
-Turbante
e barba (Cavanhaque)
- Roupão
de natação e lençol enrolado
- Chinelo
de couro
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4. Alafin Shangô (séc. V): Rei yorubá de Oyó e Orixá no Brasil
- Como personagem histórico, Xangô teria sido o terceiro
Aláàfìn Òyó, "Rei de Oyo", filho
de Oranian e Torosi, a filha de Elempê, rei dos tapás, aquele que havia
firmado uma aliança com Oranian. Oyo era uma
cidade-estado dos Yourubá na atual Nigéria que
se tornou um importante reino a partir do século XVIII.
-O Reino Yourubá de Oyo lutou bravamente contra os ingleses durante o século
XIX.
- Citação de Olfert Dapper da cidade do Benin
(1686
Bronzes do Benin
- Muitos Yorubás vieram ao Brasil, principalmente para Bahia e
Pernambuco
•
Sugestões Vestimenta:
-Roupão de
natação e lençóis vermelhos
- Usar
Machado de duas lâminas de Shangô
- Cinto
grande
- Palha da
costa enrolada nos tornozelos
- Colar
guia branco e vermelho
- Enfeites
dourados
- Chinelo
de couro
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5. Mohammah Gardo Baquaqua (séc. XIX): Escravizado no Brasil e
Abolicionista;
- Escravizado no Benin
(África Ocidental).
- Trazido para Recife-PE.
- Libertado em Nova
York,
- Abolicionista,
escreveu
sua Autobiografia no
Canadá.
___________________________________________________________________
6. Dandara (séc. XVII): Rainha do Quilombo dos Palmares;
- Quilombo
de Palmares
-
Resistência à Escravidão
- Esposa de Zumbi, rainha de Palmares.
- Lutou
contra Holandeses e Portugueses no Brasil para defender o Estado de Palmares.
•
Sugestões Vestimenta:
- Muitos
colares
- Lança
- Tranças
no cabelo
- Muita
palha da costa
- Tecido
enrolado ao corpo
- Top e
tecido enrolado no busto
- Saia
___________________________________________________________________
7. Al-Baghdádi (séc. XIX): Iman dos negros muçulmanos e viajante no
Brasil;
- Deleite do estrangeiro em tudo o que é espantoso e
maravilhoso
- Descrição dos africanos em Recife
•
Sugestões Vestimenta:
-Turbante
e barba (Bigode, barba)
- Roupão
de natação e lençol enrolado
- Chinelo
de couro
___________________________________________________________________
8. Alufá Rufino (séc. XIX): Sacerdote e sábio africano no Brasil;
•
Sugestões Vestimenta:
-
Chapeuzinho branco
- Camisa
branca folgada lençol enrolado
- Escarificação no rosto
- Colar
muçulmano
- Sentado
sobre um tecido de pele de onça
___________________________________________________________________
9. Nã Agontimé (séc. XIX): Rainha do Daomé e fundadora do Terreiro Casa
das Minas;
- Rainha
de Abomey. Reine Jeje no atual
Costa do Marfim. Fim do séc. XVIII, inicío do séc.
XIX
- Foi
aprisionada após uma guerra dinástica que depois deus filho o rei Guezô do
Daomé.
- Quando
recuperou o trono, Guezô enviou vários embaixadores e representantes do Daomé
para o Brasil para achar a sua mãe e trazê-la de volta. Foram enviados para a
Bahia, Rio de Janeiro e Pernambuco. Contudo, segundo Pierre Verger a rainha
Nã Agotimé
estava em São Luís do Maranhão
- Casa
das Minas ou Querebentã de Toy Zomadonu -
fundada em meados do século XIX, e segundo Pierre Verger,
por Nã Agotimé,
da família real de Abomey, esposa do rei Agonglô, mãe do
rei Guezô do Daomé, trazida como escrava para o Brasil, e aqui
conhecida pelo nome de Maria Jesuína. A casa dedica-se ao culto jeje dos voduns, que
estão organizados por famílias, a saber: Davice que é a
principal, hospedando as demais: Dambirá
(Damballah), Quevioçô
(Heviossô), Aladanu
e Savalunu. É considerada a mais antiga casa de tambor de mina no
Maranhão, localizada à rua de São Pantaleão, no centro histórico de São Luís.
•
Sugestões Vestimenta:
- Muitos
colares
- Turbante
de Baiana
- Cetro em
forma de cobra com cabeça no cabo e na base
- Muita
palha da costa e tecidos de onça
- Vestido
branco e tecido enrolado ao corpo
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10.
Rainha Dona Santa (séc. XX): Antiga Rainha do Maracatu Elefante e Yalorixá.
•
Sugestões Vestimenta:
- Muitos
colares
- Coroa de
Maracatu
- Cetro de
rainha
- Vestido
de cor forte (Vermelho, verde ou amarelo)
- Tecidos
enrolados ao corpo de forma harmônica.
http://www.onordeste.com/onordeste/enciclopediaNordeste/index.php?titulo=Dona+Santa+(Rainha+do+Maracatu+Elefante)<r=d&id_perso=282
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